DISCUSSÕES SOBRE A MODA BRASILEIRA

março 14, 2012 Thayanna Sena 0 Comentários

Não sei se admiro mais a jornalista Marília Gabriela ou a socióloga e fashionista Gloria Kalil. Sinto que minha paixão e meu foco profissional voltaram depois de assistir um programa de bate-papo entre as duas (assista aqui), onde a Moda foi o tema principal, mas mostrando sua amplitude econômica, comportamental e de influência na sociedade. De Frente com Gabi é um dos meus programas favoritos pela perspicácia e inteligência de sua apresentadora. Por outro lado, Gloria é uma das principais fontes de informação e de estilo do Brasil, responsável pelo site Chic, já com 10 anos de atuação_ um longo caminho se pensarmos na rapidez típica da internet.



A Moda está diretamente ligada à sociedade e ao comportamento de cada época. Nos anos 70, por exemplo, com a dominação masculina, as mulheres usaram ternos e blazers com grandes ombreiras, representação de poder. Na década seguinte, o conceito de jovialidade deu liberdade ao figurino, trazendo a minissaia e trajes mais ousados. Gloria apontou a Moda como um captador de tendências que antecipa o desejo das pessoas. Ou seja, a Moda não é responsável por criar movimentos sociais: ela é sensível às novidades e apresenta os produtos que as pessoas querem antes que elas saibam disso.

Outro assunto abordado na conversa foi o potencial criativo do Brasil, que suscita a pergunta: a ascensão da economia e da visibilidade do país nos tornou criadores de Moda ou continuamos imitando o que vem de fora? Gloria aponta que alguns países são mais propensos a se destacar na Moda, como é o caso de Paris, um referencial no assunto desde sempre. Por outro lado, grandes potências econômicas como Estados Unidos e Japão não têm a mesma voz. Embora Tókio e Nova York sejam importantes capitais fashion na atualidade, elas só ganharam destaque quando a moda urbana se tornou tendência. O mesmo aconteceu com São Paulo. Tratam-se de países que não são o principal foco quando o assunto é Moda, mas cujo lifestyle possui relevância para o mercado.

"Moda é oferta; estilo é escolha", Gloria Kalil.

Ainda sobre o Brasil, a imprensa internacional questiona o fato de que o somos o único país do mundo com duas semanas de Moda: a São Paulo Fashion Week e o Fashion Rio. Segundo Gloria, o país tem qualidade e inovação para ter seu espetáculo do vestuário, mas duas feiras (ou mais) acabam se tornando encontro de negócios e não feiras de novidades, que é o verdadeiro objetivo das semanas de Moda.

Gabi e Gloria também falaram sobre o despreparo da indústria brasileira frente às multinacionais e a alegria nacional reconhecida em todo mundo. Segundo Gloria, se você disser que é brasileiro em qualquer lugar, as pessoas responderão com um sorriso de orelha a orelha, numa direta associação às festividades e ao “jeitinho” típicos do país. Ela diz que ao invés de nos incomodarmos com o tratamento, precisamos aproveitar esse sorriso para mostrar que somos mais do que Havaianas e carnaval e apresentar nossos demais valores.

É realmente lastimável que os programas de conteúdo relevante sejam exibidos durante a madrugada, quando grande parte da população já foi dormir. A conversa mostrou o potencial de influência da Moda na economia e no comportamento da sociedade. Vestuário é forma de expressão, característica da época e importante setor do mercado financeiro. É identidade de um povo, assunto acadêmico. Precisamos de mais (boas) discussões sobre isso. Fica a dica.

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