Enquanto isto, debaixo d'água...

Foram vinte e quatro anos com medo da água. Vinte e quatro anos indo à praia e ficando na areia_ ou, no máximo, entrando no mar até que ele alcançasse a cintura. É engraçado por que a gente passa a gostar mais do sol. E os amigos passam a gostar mais da gente: sempre tem alguém pra vigiar as coisas enquanto eles vão dar um mergulho.

Não sei por que não tive oportunidade de aprender a nadar na infância. Acho que apenas não era prioridade, já que eu nunca gostei nem vivi muito na praia. Na época em que o SUP (stand up paddle) bombou em Brasília, antes mesmo de chegar às praias badaladas como o Rio, eu fiquei doida pra aprender. Mas lá estava o empecilho de não saber nadar. E continuaria assim por que, nesta altura do campeonato, eu morria de vergonha de entrar numa aula e ver as crianças nadando enquanto eu só sabia boiar. Eu disse "continuaria" por que a situação mudou: há pouco mais de um mês, com o incentivo e a companhia de uma amiga, eu entrei na natação (o que explica também o fato de eu cortar o cabelo joãozinho, com preguiça de ficar lavando e secando todos os dias).

Por incrível que pareça, descobri que não, eu não tenho medo da água. E também que não sou a única (adulta) dentro da piscina usando "espaguete" pra aprender os primeiros movimentos. Preciso dizer que eu encarei o exercício como um desafio em que o nado crawl foi o Monte Evereste dos escaladores: o mais difícil. A culpa é da respiração lateral, que agora, lá pela 14ª aula, começa a funcionar melhor. Entre mortos e feridos, sobreviveram os que aprenderam o nado costas em uma única aula, arrancando elogios do professor. É claro que meu único conhecimento em natação (boiar!) me ajudou nesta. Proporcionalmente ao contrário, o medo ainda não me deixa mergulhar por mais de 10, 15 segundos sem voltar correndo pra respirar. Mas tudo bem: um passo nado de cada vez.

A conclusão inicial_ e talvez até precipitada_ é que eu encontrei (e afoguei) meus medos debaixo d'água, o mesmo lugar onde, aos poucos, vou alcançando algumas conquistas. Aceitar este desafio, que pode até parecer banal, me abriu os horizontes para outras oportunidades, como a de finalmente fazer o curso de mergulho em Arraial do Cabo e sair vendo os peixes, corais e tartarugas dos sete mares. Aliás, acho que as possibilidades sempre surpreendem quem se dispõe a aprender algo novo, né?! E assim, eu senti a mesma felicidade de 1996, quando aprendi a juntar as palavras e ganhei minha primeira estrelinha na redação. Veja só onde as letras me levaram... fico pensando nos lugares onde a água me levará!

0 comentários