Crônicas | Dialoghi a Budapest




Quando cheguei no aeroporto de Budapest, -5 graus, tarde da noite e depois de perder um voo, a primeira pessoa com quem eu falei foi... um brasileiro, em um grupo com outros três, tão perdidos quanto eu em um aeroporto sem wi-fi e sem placas em inglês_ sim, todas em húngaro.
Chegando na cidade, a primeira pessoa com quem eu falei foi... outro brasileiro, um cara-pálida divertidíssimo chamado Ernesto, que me recebeu com Jägermeister e ainda tomou metade da minha garrafa de cachaça (eu tomei a outra metade. Eurotrip iniciada com sucesso!).

No dia seguinte, primeiro oficial em Budapest, a primeira pessoa com quem eu falei foi... uma italiana, que conheci pela internet quando ainda estava no Brasil. Sentamos em um Starbucks conversarmos por alguns minutos sobre a vida, relacionamentos, sonhos e eu já sentia que ela era minha amiga. Estranho, né?! Acho que isso é uma coisa que acontece entre viajantes: a gente se reconhece em ter que passear sozinhos, em deixar uma paixão do outro lado do oceano, em passar fome, frio e em ter calos de tanto andar.

Mas é que a Angela é muito parecida comigo, só que um pouco menos tímida. Ela anda e fala com uma segurança que causa medo e admiração ao mesmo tempo. Você olha e se pergunta: como ela conseguiu dominar o lugar inteiro em dois minutos, com tanta classe e zero prepotência?
Mesmo quando nós entramos em museu que estava recebendo um evento fechado, ela contornou a situação e acho que quase fomos convidadas para o evento, só pelo jogo de cintura dela. Entre pontos turísticos e risadas, ela me explicou que as pessoas de Nápoles têm um jeito especial de reclamar (não ensinou como, mas vou descobrir) e, por fim, deu o golpe fatal: "vamos passar no supermercado, vou cozinhar uma massa para nós".

E foi aí que eu me apaixonei: pela pessoa, pelos costumes, pela simpatia e pelo spaghetti al pesto que ela fez em dieci minuti. Jantamos, tomamos vinho e veio uma explicação: "sabe para que serve o pão? Para comer com o molho que sobra no prato no fim do macarrão!" Essa informação mudou a minha vida e ai de quem me olhar estranho porque eu estou passando o pão no caldinho do prato: cê tem uma amiga napolitana? Eu tenho!

Neste dia eu aprendi que para se apaixonar por um italiano basta conhecer um. A alegria, a intensidade e a receptividade calorosa (com a qual estamos tão acostumados no Brasil) vai nos fazer sentir em casa e aí é instantâneo, meus amigos: em um dia ou menos ele se torna especial na sua vida.
Grazie per tutto, Angela!

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